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terça-feira, 4 de agosto de 2009

"Coletânea Ufanista" ou "Quem puxa aos seus não esvaece"...

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Canção do Exílio
Gonçalves Dias
...
Não permita Deus que eu morra,
sem que eu volte para lá;
sem que desfrute os primores
que eu não encontro por cá,
...

Canto Mineral
Carlos Drummond de Andrade
...
Minas orgulhosa
de tanta riqueza,
endividada
de tanta grandeza
no baú delida.
Cada um de nós, rei
na sua fazenda,
...
Minas, oi Minas,
tua estranha sina
delineada
ao bailar dos sinos,
ao bailar dos hinos
de festins políticos,
Minas mineiral
Minas musical
Minas pastorela
Minas Tiradentes
Minas liberal ...
Minas que te quero
Minas que te perco
e torno a ganhar-te ...




Confidência do Itabirano
Carlos Drummond de Andrade
...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Garoto
Vladimir Maiakoviski

Fui agraciado com o amor sem limites.
Mas, quando garoto,
a gente preocupada trabalhava
eu escapava
para as margens do rio Rion
e vagava sem fazer nada.
...
Sem o peso da camisa,
sem o peso das botas,
de costas ou de barriga no chão,
torrava-me ao sol de Kutaís
até sentir pontadas no coração.
O sol se assombrava:
“Daquele tamaninho
com um tal coração!
Vai partir-lhe a espinha!
Será que cabem
nesse tico de gente
rio,
o coração,
eu
e cem quilômetros de montanhas?”


A seguir, "outro" cataguasense dileto: o cineasta Humberto Mauro! O videoclipe é "A Velha a Fiar" (1964). Nele a música é executada pelo Trio Irakitã.
O filme é considerado o primeiro videoclipe brasileiro!

Link para a página de Cataguases no Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cataguases

domingo, 23 de março de 2008

As Curvas de Niemeyer na Praça da Liberdade, a Lua e os Versos do Drummond



Foto de um início de tarde triste na Praça da Liberdade.



As montanhas escondem o que é Minas


Ninguém sabe Minas


Só os mineiros sabem


E não dizem nem a si mesmos o


irrevelável segredo chamado Minas
Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 21 de março de 2008

O Defunto - Pedro Nava






O Defunto


Quando morto estiver meu corpo,
Evitem os inúteis disfarces,
Os disfarces com que os vivos,
Só por piedade consigo,
Procuram apagar no Morto
O grande castigo da Morte.

Não quero caixão de verniz
Nem os ramalhetes distintos,
Os superfinos candelabros
E as discretas decorações.

Quero a morte com mau-gosto!

Dêem-me coroas de pano,
Angustiosas flores de pano,
Enormes coroas maciças,
Como enorme salva-vidas,
Com fitas negras pendentes.

E descubram bem minha cara:
Que a vejam bem os amigos.
Que não a esqueçam os amigos
Que ela ponha nos seus espíritos
incerteza, o pavor, o pasmo.
E a cada um leve bem nítida
A idéia da própria morte.

Descubram bem esta cara!

Descubram bem estas mãos
Não se esqueçam destas mãos!


Meus amigos, olhem as mãos!
Onde andaram, que fizeram,
Em que sexos demoraram
Seus sabidos quirodáctilos?

Foram nelas esboçados
Todos os gestos malditos:
Até os furtos fracassados
E interrompidos assassinatos.

- Meus amigos! olhem as mãos
Que mentiram às vossas mãos...
Não se esqueçam!
Elas fugiram
Da suprema purificação
Dos possíveis suicídios.

- Meus amigos, olhem as mãos!
As minhas e as vossas mãos!

Descubram bem minhas mãos!

Descubram todo o meu corpo.
Exibam todo o meu corpo,
E até mesmo do meu corpo
As partes excomungadas,
As sujas partes sem perdão.

- Meus amigos, olhem as partes...
Fujam das partes,
Das punitivas, malditas partes...

Eu quero a morte nua e crua,
Terrífica e habitual,
Com o seu velório habitual.

- Ah! o seu velório habitual!

Não me envolvam em lençol:
A franciscana humildade
Bem sabeis que não se casa
Com meu amor da Carne,
Com meu apego ao Mundo.

Eu quero ir de casimira:
De jaquetão com debrum,
Calça listrada, plastron...
E os mais altos colarinhos.

Dêem-me um terno de Ministro
Ou roupa nova de noivo...
E assim solene e sinistro,
Quero ser um tal defunto,
Um morto tão acabado,
Tão aflitivo e pungente,
Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos
De vida sem minha vida.

- Meus amigos, lembrem de mim.
Se não de mim, deste morto,
Deste pobre terrível morto
Que vai se deitar para sempre
Calçando sapatos novos!
Que se vai como se vão
Os penetras escorraçados,
As prostitutas recusadas,
Os amantes despedidos,
Como os que saem enxotados
E tornariam sem brio
A qualquer gesto de chamada.

Meus amigos, tenham pena,
Senão do morto, ao menos
Dos dois sapatos do morto!
Dos seus incríveis, patéticos
Sapatos pretos de verniz.
Olhem bem estes sapatos,
E olhai os vossos também.


Trechos excepcionais:
"A morte com mau-gosto!"
"Coroas como enormes salva-vidas"!

"Descubram bem essa cara"!

"Meus amigos olhem as mãos,
as minhas e as vossas.
...Lembrem de mim!"

"Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos"
De vida sem minha vida"

"Olhem bem estes sapatos,
e olhai os vossos também"!


Espetáculo!!!!

Mineiro, médico, modernista, nobre aluno da Faculdade Medicina da UFMG!