segunda-feira, 31 de março de 2008

Eudaimonia

Vaso Grego, 420-410 aC, do Metropolitan (NY). Representando a Eudaimonia.



Palavra grega que comumente traduzida como "Felicidade". Seu significado etimológico é eu (bem, verdade, bem estar) e daimõn (espírito). Também traduzida como sorte ou fortuna. Embora seu significado de felicidade seja muito usado, o termo refere-se a um "estado de espírito" geralmente associado à alegria, prazer e estabilidade. Sua melhor tradução talvez fosse "prosperidade humana".



Aristóteles:
Toda ação humana deve buscar o bem. A verdade está no meio termo. A vida contemplativa é o mais importante ingrediente para uma boa vida. Diante de uma~manifestação fenomenológica não se deve julgar ou emitir opinião.










Sócrates:


O silêncio contemplativo.








Epicuro:


Impertubabilidade do Espírito.







Homo antiquus:

nunca condicione sua satisfação a um objeto externo, seja uma mulher, um carro, um êxito profissional... o caminho é a construção do Eu, através de uma lógica interna da sua virtude, que é única...

domingo, 30 de março de 2008

Milton Nascimento - Praça da Estação

29 de março, praça da Estação, show gratuito, com ambiente agradável, duas horas de duração, muito bom!


Abaixo, letra de Outro Lugar, de Elder Costa, do excelente CD Pietá (2003) de Milton Nascimento. Ótimas músicas e grandes participações especiais.

Outro Lugar
C9 G
Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
C9 G
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Am Am7M Am7 Am6
Não vê que tá errado, tá errado me querer quando convém
C9 G
E se eu não tô enganado acho que você me ama também


C9 G
O dia amanheceu chovendo e a saudade me contém
C9 G
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Am Am7M Am7 Am6
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
C9 G
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui


Am Am7M Am7 Am6
Amor eu gosto tanto eu amo, amo tanto o seu olhar
Em7 Em7M Em7 Em6
Andei por esse mundo louco, doido, solto, com sede de amar
Gm Gm7M Gm7 Gm6
Igual a um beija-flor que beija a flor, de flor em flor eu quis beijar
Dm Dm7 Dm7M Dm6
Por isso não demora que a história passa e pode me levar


C9 G
E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum enquanto não voltar
C9 G
Não quero que isso aqui dentro de mim vá embora, tome outro lugar
Am Am7M Am7 Am6
Talvez a vida mude, nossa estrada pode se cruzar
C9 G
Amor meu grande amor, estou sentindo que está chegando a hora de dormir

Vídeo do show do dia 29/03/08.
Outro Lugar



video


Letra espetacular!!!!
Aplicável!

Há outra música neste disco que merecerá uma postagem específica mais tarde: Quem Sabe isso Quer Dizer Amor, de Lô Borges e Márcio Borges.

Toninho Horta e Orquestra Fantasma



28 de março. Músicos da melhor qualidade, papo agradabilíssimo, local com poucas pessoas e aqui, pertinho de nós!


Link para vídeo do Toninho Horta tocando Corcovado

sábado, 29 de março de 2008

Eric Clapton - Wonderful Tonight



Intro: G D/F# C D G D/F# C D

Solo & Opening:
G D/F#
C D

G D/F#
It's late in the evening
C D
She's wondering what clothes to wear
G D/F#
She puts on her make up
C D
And brushes her long blonde hair
C D
And then she asks me
G D/F Em
Do I look alright
C D G D/F# C D
And I say yes, you look wonderful tonight

G D/F#
We go a party
C D
And everyone turns to see
G D/F#
This beautiful lady
C D
That's walking around with me
C D
And then she asks me
G D/F Em
Do you feel alright
C D G
And I say yes, I feel wonderful tonight

C
I feel wonderful
D G D/F Em
Because I see the love light in your eyes
C D
And the wonder of it all
C D
Is that you just don't realize
G D/F# C D G D/F# C D
How much I love you
G D/F#
It's time to go home now
C D
And I've got an aching head
G D/F#
So I give her the car keys
C D
She helps me to bed
C D
And then I tell her
G D/F Em
As I turn out the light
C D G D/F Em
I say my darling, you were wonderful tonight
C D G D/F# C D G D/F# C D G
Oh my darling, you were wonderful tonight

Priceless...

Vídeo de Wonderful Tonight na Turnê Reptile:
http://www.youtube.com/watch?v=nHC0mX-Er_E

quinta-feira, 27 de março de 2008

Escola de Atenas

Nessa obra pintada por Rafael em 1509, em uma sala do Palácio do Vaticano, encomendada pelo Papa Júlio II, diversos filósofos gregos e não-gregos de diferentes épocas, além de vários cientistas, estão entretidos em animada conversação. Rafael representou, de forma idealizada e do ponto de vista renascentista, as mais importantes figuras da filosofia e da ciência do Mundo Greco-Romano.
Platão e Aristóteles, os dois filósofos gregos que mais influenciaram o pensamento ocidental, ocupam o centro do afresco e dominam toda a cena.
Platão, representado pela figura de Leonardo da Vinci, aponta para o céu com a mão direita, gesto que representa a "teoria das formas" (verdade inteligível - Pensamento). Ele segura sua obra Timaeus.
Aristóteles, discípulo dileto de Platão, gesticula também com a mão em direção à terra, o que representa a "percepção pelos sentidos" (verdade sensitiva), base de sua concreta teoria do conhecimento. Ele segura seu livro Ética.
Sócrates é representado à esquerda, vestido de verde, argumentando para um grupo. Diante dele, da esquerda para a direita, observamos: Xenofonte de Atenas, com uniforme militar;
Ésquines e Alcibíades, que segundo um dos diálogos de Platão, O Banquete, estava apaixonado pelo mestre.
Hipátia de Alexandria, a filósofa neoplatônica, está vestida de branco, logo a baixo do grupo de Sócrates. Próxima a ela está o pré-socrático Parmênides de Eléia, que olha para trás.
Heráclito de Éfeso era avesso ao convívio social, por isso é mostrado isolado, sentado na escadaria onde pensa e escreve. O rosto de Heráclito é representado, na verdade, pelo rosto de Michelangelo.
Euclides, que era matemático, é representado inclinando-se sobre uma lousa com um compasso na mão, demonstrando um de seus teoremas a um grupo de discípulos. Seu rosto é baseado no rosto de Donato Bramante.
Rafael também se pintou no afresco. Ele está à direita, quase fora de vista, com chapéu preto, olhando diretamente para quem observa a pintura. Ele está ao lado de seu amigo Sodoma, que poderia ser seu amante.
continuarei...

Boca







Boca é teu nome
Cru é teu ser.
Gosto em teu som,
Lampejo e fenecer.

Teu riso explode
Alheia raiva, pranto.
Qual Sereia em canto.

Encanto de boca que crava,
Que se desobriga da palavra.
Encanto de boca de dentes.

Boca de carne,
Boca de mármore.
Beijo-macaca
Boca rol in actu.

domingo, 23 de março de 2008

As Curvas de Niemeyer na Praça da Liberdade, a Lua e os Versos do Drummond



Foto de um início de tarde triste na Praça da Liberdade.



As montanhas escondem o que é Minas


Ninguém sabe Minas


Só os mineiros sabem


E não dizem nem a si mesmos o


irrevelável segredo chamado Minas
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 22 de março de 2008

Moscas de Luz


Janela do meu quarto, moscas na luz da rua...

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Machado de Assis em 1890.

O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora; foi o que eu fiz; lancei mão de uma toalha e enxotei essa outra borboleta preta, que me adejava no cérebro. Fiquei aliviado e fui dormir. Mas o sonho, que é uma fresta do espírito, deixou novamente entrar o bichinho, e aí fiquei eu a noite toda a cavar o mistério, sem explicá-lo.
Amanheceu chovendo, transferi a descida; mas no outro dia a manhã era límpida e azul, e apesar disso deixei-me ficar, não menos que no terceiro dia. e no quarto, até o fim da semana. Manhãs bonitas, frescas, convidativas; lá embaixo a família a chamar-me, e a noiva, e o Parlamento, e eu sem acudir a cousa nenhuma, enlevado ao pé da minha Vênus Manca. Enlevado é uma maneira de realçar o estilo; não havia enlevo, mas gosto, uma certa satisfação física e moral. Queria-lhe, é verdade; ao pé dessa criatura tão singela, filha espúria e cosa, feita de amor e desprezo, ao pé dela sentia-me bem, e ela creio que ainda se sentia melhor ao pé de mim. E isto na Tijuca. Uma simples égloga. D. Eusébia vigiava-nos, mas pouco; temperava a necessidade com a conveniência. A filha, nessa primeira explosão da natureza, entregava-me a alma em flor.
— O senhor desce amanhã?, disse-me ela no sábado.
— Pretendo.
— Não desça.
Não desci, e acrescentei um versículo ao Evangelho: "Bem-aventurados os que não descem, porque deles é o primeiro beijo das moças". Com efeito, foi no domingo esse primeiro beijo de Eugênia - o primeiro que nenhum outro varão jamais lhe tomara, e não furtado ou arrebatado, mas candidamente entregue, como um devedor honesto paga uma dívida. Pobre Eugênia! Se tu soubesses que idéias me vagavam pela mente fora naquela ocasião! Tu, trêmula de comoção, com os braços nos meus ombros, a contemplar em mim o teu bem-vindo esposo, e eu com os olhos de 1814, na moita, no Vilaça, e a suspeitar que não podias mentir ao teu sangue, à tua origem...
D. Eusébia entrou inesperadamente, mas não tão súbita, que nos apanhasse ao pé um do outro. Eu fui até à janela; Eugênia sentou-se a concertar uma das tranças. Que dissimulação graciosa! Que arte infinita e delicada! Que tartufice profunda! E tudo isso natural, vivo, não estudado, natural como o apetite, natural como o sono. Tanto melhor! D. Eusébia não suspeitou nada"
.
"Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita"?
Apenas uma das brilhantes passagens de Machado de Assis!
Nestas frases estão resumidos grandes problemas da humanidade!!!

Vladimir Maiakoviski


"Nos demais, todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração".



Como sempre repete um grande amigo: a vida não é racional!!!



No link abaixo, Jorge Mautner cita o poema anterior em seu video "Herói das Estrelas".

http://www.youtube.com/watch?v=ef0olhk00T4&feature=related

sexta-feira, 21 de março de 2008

O Defunto - Pedro Nava






O Defunto


Quando morto estiver meu corpo,
Evitem os inúteis disfarces,
Os disfarces com que os vivos,
Só por piedade consigo,
Procuram apagar no Morto
O grande castigo da Morte.

Não quero caixão de verniz
Nem os ramalhetes distintos,
Os superfinos candelabros
E as discretas decorações.

Quero a morte com mau-gosto!

Dêem-me coroas de pano,
Angustiosas flores de pano,
Enormes coroas maciças,
Como enorme salva-vidas,
Com fitas negras pendentes.

E descubram bem minha cara:
Que a vejam bem os amigos.
Que não a esqueçam os amigos
Que ela ponha nos seus espíritos
incerteza, o pavor, o pasmo.
E a cada um leve bem nítida
A idéia da própria morte.

Descubram bem esta cara!

Descubram bem estas mãos
Não se esqueçam destas mãos!


Meus amigos, olhem as mãos!
Onde andaram, que fizeram,
Em que sexos demoraram
Seus sabidos quirodáctilos?

Foram nelas esboçados
Todos os gestos malditos:
Até os furtos fracassados
E interrompidos assassinatos.

- Meus amigos! olhem as mãos
Que mentiram às vossas mãos...
Não se esqueçam!
Elas fugiram
Da suprema purificação
Dos possíveis suicídios.

- Meus amigos, olhem as mãos!
As minhas e as vossas mãos!

Descubram bem minhas mãos!

Descubram todo o meu corpo.
Exibam todo o meu corpo,
E até mesmo do meu corpo
As partes excomungadas,
As sujas partes sem perdão.

- Meus amigos, olhem as partes...
Fujam das partes,
Das punitivas, malditas partes...

Eu quero a morte nua e crua,
Terrífica e habitual,
Com o seu velório habitual.

- Ah! o seu velório habitual!

Não me envolvam em lençol:
A franciscana humildade
Bem sabeis que não se casa
Com meu amor da Carne,
Com meu apego ao Mundo.

Eu quero ir de casimira:
De jaquetão com debrum,
Calça listrada, plastron...
E os mais altos colarinhos.

Dêem-me um terno de Ministro
Ou roupa nova de noivo...
E assim solene e sinistro,
Quero ser um tal defunto,
Um morto tão acabado,
Tão aflitivo e pungente,
Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos
De vida sem minha vida.

- Meus amigos, lembrem de mim.
Se não de mim, deste morto,
Deste pobre terrível morto
Que vai se deitar para sempre
Calçando sapatos novos!
Que se vai como se vão
Os penetras escorraçados,
As prostitutas recusadas,
Os amantes despedidos,
Como os que saem enxotados
E tornariam sem brio
A qualquer gesto de chamada.

Meus amigos, tenham pena,
Senão do morto, ao menos
Dos dois sapatos do morto!
Dos seus incríveis, patéticos
Sapatos pretos de verniz.
Olhem bem estes sapatos,
E olhai os vossos também.


Trechos excepcionais:
"A morte com mau-gosto!"
"Coroas como enormes salva-vidas"!

"Descubram bem essa cara"!

"Meus amigos olhem as mãos,
as minhas e as vossas.
...Lembrem de mim!"

"Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos"
De vida sem minha vida"

"Olhem bem estes sapatos,
e olhai os vossos também"!


Espetáculo!!!!

Mineiro, médico, modernista, nobre aluno da Faculdade Medicina da UFMG!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Fragmentos de "Memórias do Subsolo" - Fiódor Dostoiéviski

O livro foi publicado em 1864 e tem como enredo a história de um personagem-narrador, cujo nome não é referido, que relata suas memórias. Sujeito solitário, amargo, tem - como ele próprio expõe no fim do livro - a personalidade e conduta do típico anti-herói.
Os paradoxos são a máxima das memórias. O narrador critica e vai de encontro a tudo. Cria uma idéia e depois a destrói. Elogia uma contuda e depois a critica.
O único motivo que nos faz procurar entendê-lo é a sublime complexidade de seu raciocínio e o interessante grau cultural do diálogo.
Seguem alguns trechos da obra:

"Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos seus amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos , mas apenas a si próprio, e assim mesmo, em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio, e, em cada homem honesto, acumula-se um número bastante considerável de coisas no gênero".

E Freud, nesta época, tinha apenas oito anos de idade!!!!!

"O homem é um bípede ingrato".

"- Sr. Tenente Zvierkóv, saiba que detesto as frases, os fraseadores e as cinturas apertadas... Este é o primeiro ponto, e agora vem o segundo. - Ponto número dois: detesto a bajulação e os bajuladores! Ponto número três: amo a verdade, a franqueza e a honradez. Amo o pensamento, monsieur Zvierkóv; amo a camaradagem de verdade, de igual para igual, e não... hum..."

As cinturas apertadas?!!!!!!!

"... repito, amar significa para mim tiranizar e dominar moralmente. Durante toda minha vida, eu não podia sequer conceber em meu íntimo outro amor, e cheguei a tal ponto que, agora, chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele".

Meu Deus!!!!

"Somos natimortos... Em breve, inventaremos algum modo de nascer de uma idéia".